Sesc Paraty | Religião e diversidade, Pastor Henrique Vieira e Matheus Ruffino falam sobre os temas

Religião e diversidade sexual podem ser assuntos discutidos de forma cordial e complementar? Muitos vão dizer que não, mas as temáticas não só podem se cruzar, como devem ser entendidas de modo amplo e prático. Bom, foi essa a tentativa estabelecida entre mim e o Pastor Henrique Vieira, conhecido por sua visão humanizada e progressista daquele que pode ser Deus. Numa conversa sugerida pelo Sesc Paraty, falamos sobre nossa relação com a religiosidade e o quanto a igreja atravessa a comunidade LGBTQIA+ de diversas formas, causando estigmas e sensações das mais variadas.

O podcast mediado pela jornalista Carol Bataier e pela idealizadora do projeto Papo Dez Priscila Rodrigues versou sobre o papel das instituições religiosas na atualidade, a importância de contemporizar os textos bíblicos, principalmente aqueles usados para justificar lgbtfobias, e também contribuiu para jogar luz sobre a definição de um Deus humano e mais próximo desses corpos diversos, por vezes, renegados por cristãos intolerantes.

Henrique Vieira é niteroiense, pastor da Igreja Batista do Caminho, ator, poeta, professor, ex-vereador e militante de Direitos Humanos. Formado em Teologia, Ciências Sociais e História, estuda a arte da palhaçaria e é membro do conselho deliberativo do Instituto Wladimir Herzog. Foi com esse cara que tive a satisfação de dividir a fala.

Ouça na íntegra o podcast sobre religiosidade e comunidade LGBTQIA+ produzido pelo Sesc Paraty.

Bastidores de ‘Foi você’

A ideia para a criação desse conto surgiu durante uma insônia movimentada, como quase todas que aparecem durante a noite. Antes de dormir a cabeça deste que lhe escreve vira uma panela de pressão e, ocasionalmente, é preciso anotar algumas ideias no bloco de notas do celular. São frases nunca ditas, possíveis pautas para essa plataforma, filosofias baratas e trechos de textos já em andamento. Acredito que todos e todas que possuem o hábito de escrita ou composição de algo textual já passou ou passa por essa descarga de ideia; ela simplesmente vem e precisa de amparo. No dia seguinte, quase sempre, ela perde um pouco daquele tesão inicial, mas ainda assim ilumina a composição do objeto produzido.

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Conto | Foi você

Desejar a morte de alguém, seja quem for, nunca será a melhor opção para a manutenção da civilidade. Pensando nisso, decidi dar vida a esses personagens complexos em suas relações e convívios sociais. Eles não existem no mesmo plano onde eu e você estamos, são ficcionais e reforçar isso é importante. Em quase oposição a essa perspectiva, o mundo real tem atravessado um momento complicado e devastador. A pandemia do coronavírus mudou a rotina de muitos seres humanos, alterou a rota de grande parte dos animais e até acordou vulcões adormecidos há anos. Mesmo com essas inúmeras mudanças, alguns personagens reais espalhados pelo globo optaram pela continuidade do habitual – maldade, egoísmo, psicopatia -, sem atentar para os malefícios disso sobrepostos à crise. Esses sujeitos poderosos, em diferentes níveis, acabam se tornando, incansavelmente, aliados desse vírus. ”E daí?”

O que resta para a massa consciente, verdadeiramente preocupada, é a revolta e a indignação contra esses que podem ajudar a salvar vidas mas, como projeto pessoal, optam pela morte. Nesse cenário há muitos culpados, nesse outro paralelo, apesar da brutalidade, não há.

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Somos uma aldeia

O que poderia ser mais letal que o governo Bolsonaro? O governo Bolsonaro sob efeito de uma pandemia. Coronavírus é o assunto do mundo e combatê-lo tem sido a principal política adotada pelos chefes de Estado. Alguns países estão fechando as fronteiras, outros sugerem isolamento compulsório e o Brasil adota medidas para punir aqueles que aproveitam o momento para fazer social e ir à praia. Por outro lado, numa ótica humanista e compreensiva, nossa pátria amada também acha decente aumentar o preço dos produtos relacionados ao combate do vírus. Não obstante, o presidente do país chancela manifestações pró-governo desrespeitando ordens médicas e instruções dos seus próprios ministros. Para ele, a covid-19 não passa de uma ‘histeria’ propagada pela mídia e que todo esse estrago é um plano maquiavélico do governo chinês. O que circula na internet é o boato de que ele testou negativo para a presidência.

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As férias acabaram e a praia não chorou

Os meses que a antecederam foram bastante cansativos. Desejá-la nunca foi tão importante. Ainda em novembro era possível sentir o cheiro dela. Os dias alongados, a falta do quê fazer e o bate papo furado na cozinha com a vó eram situações aguardadas. Enquanto passa na televisão o concerto Colour of Your Dreams, da Carole King, vai ficando mais claro que ela veio e se foi. Férias, estar contigo foi muito bom. Com você fiz vários nadas o que, na verdade, era o mais desejado da sua existência. Obrigado pelas horas bem dormidas, por me engordar uns quatro quilos, por me levar para uma turnê médica e, por conta disso, quase morrer psicologicamente. Mente vazia a oficina é de quem? Da falta da razão, claro! Agradeço, sinceramente, pelas ótimas leituras proporcionadas. Viajar, conhecer personalidades, se transportar para outro tempo e aprender novas histórias foi o máximo. É bem verdade que deitado se vai ao longe. E eu fui. Na padaria mesmo fui pouquíssimas vezes.

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Tirando o atraso literário

Em dezembro minha última pauta de rádio na faculdade teve a literatura como tema. Trouxe dados nacionais e misturei com as realidades daquele lugar no qual estou inserido. A fim de tornar a matéria mais dinâmica, propus uma enquete no Instagram perguntando aos meus seguidores quais foram os últimos livros lidos, se eles tinham o hábito de leitura e o motivo de não gostarem de ler. Um pouco parecido com o levantamento feito pelo Instituto Pró-Livro, em 2016, no questionário que fiz, 74% dos participantes informaram ter o hábito de leitura, enquanto 26% afirmou não ler absolutamente nada; 30% disse não ter tempo para o livro.

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Agora é para todos

Paraty, no litoral fluminense do Rio de Janeiro, se torna Patrimônio Mundial. A biodiversidade e os povos tradicionais foram critérios essenciais para o reconhecimento concedido pela Unesco

Quem nasce em Paraty é paratiense. Quem visita ou simplesmente conhece por fotos e vídeos é encantado. A cidade que fica a pouco menos de 300 km da capital carioca, desperta atenção de todos que cruzam com ela. Paraty é trifurcação para lugares consideravelmente antagônicos em sua construção. Estando na entrada, bem no trevo de acesso à cidade, é possível enxergar nas sinalizações quais são esses destinos. Angra dos Reis, onde ficam as usinas Angra 1, 2 e 3, cidade mais desenvolvida economicamente e o paradeiro predileto dos famosos globais e internacionais. Cunha é um lugarejo frio, conhecido pelos rodeios e cheio de ladeiras e depressões geográficas, situado a leste de São Paulo. Enquanto a outra paulista, Ubatuba, uma mistura das duas estâncias anteriores, é mais procurada por jovens e surfistas. Diferente das demais, a cidade histórica com cerca de 40 mil habitantes agora, mais do que nunca, é para todos. Desde julho desse ano, quando foi reconhecida como Patrimônio Mundial, numa cerimônia em Baku, no Azerbaijão, Paraty recebe nos seus limites territoriais gente ainda mais diversa: interessados em arquitetura e natureza, praieiros, pessoas de 15 a 90 anos, intelectuais e celebridades de toda ordem. Mas foram os povos tradicionais do município — 28 comunidades caiçaras, duas terras indígenas e duas comunidades quilombolas — juntamente a vasta biodiversidade, de quase 150 mil hectares preservada por esses cidadãos, os grandes responsáveis por catapultarem o conjunto de belezas ao estrelato.

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