Então é eleição

Então é eleição, e o que o candidato fez? (Uma parte fez muita merda, já outro preferiu usar as nádegas para esconder dinheiro. Quem trabalhou não fez mais que a obrigação, convenhamos.)

O mandato terminou e nascerá outra vez (O mandato de um acabou, recentemente, porque duvidou da letalidade do vírus e agiu contra o distanciamento social. O que vai nascer é mato, olhado direto da raiz.)

Então é eleição, a festa da democracia (No Brasil atual eleição nem é mais sinônimo de democracia, na verdade virou mais uma porta para autoritários chafurdarem imundícies. Não é o fim. Pense no seu voto.)

Do velho e do novo, do interesse como um todo (Um dos traços mais efetivos desse nosso regime político sufocado é o interesse. Não há distinção de pessoa aqui: se vota, tá bom. Vem todo mundo!)

Então boa eleição e um ano novo também (Boa eleição se dá com propostas, com ideias, com gente nova e espírito progressista. Aí sim vamos ter um ano novo. No contrário, só o caos e a politicagem de boteco.)

Que seja feliz quem souber o que é o bem (Que seja feliz aquele que não vota em candidato que compra voto, com histórico contra os interesses dos mais pobres, que privilegia Deus e não propõe nada de útil.)

Então é eleição, pro enfermo e pro são (Se for muito enfermo e não puder ir até uma urna, sinto dizer que as coisas serão diferentes para você. Se for são demais também não é vantagem para o candidato.)

Pro rico e pro pobre, num só coração (O pobre é o foco pelo fato de ser maioria. Para o rico eles prometem uma vista grossa nos impostos, nas multas e um gabinete sempre aberto para ouvi-los.)

Então boa eleição, pro branco e pro preto (Uma boa eleição para o preto seria uma proposta e tanto, hein, diz aí? Só torcer para eles estarem vivos até o segundo turno não é justo, candidato.)

Amarelo e vermelho, pra paz afinal (Que paz? As aldeias indígenas correndo risco de serem exterminadas, grande parte desses nativos vivendo seus piores pesadelos e vendo suas moradias em chamas, porra!)

Então boa eleição, e ano novo também (Importante se prevenir contra a covid-19. Não é porque os políticos estão na rua, fazendo comícios e aglomerando que a pandemia tirou folga.)

Que seja feliz quem souber o que é o bem (Vote em candidato compromissado com o bem-estar de todos(as), em especial dos mais pobres e vulneráveis. Só assim o Brasil saberá o que é o bem.)

Então é eleição, e o que o candidato fez? (Fez uma ponte inútil e inacabada, atuou para atrapalhar obras importantes, não apareceu na Câmara para votar a Lei Aldir Blanc.)

O mandato terminou, e nascerá outra vez (É esperado que alguns mandatos terminem mesmo, pelo amor de Deus. Com todo respeito ao cara lá de cima e já torcendo para Ele não ser perseguido.)

E então é eleição, a festa da democracia (Esse é o momento de reforçar as bases da democracia, que anda xoxa, capenga, manca, anêmica, frágil e inconsistente. Depois disso vamos festejar. Empatia.)

Do velho e do novo, do interesse como um todo (Do velho e do novo, que os interesses sejam os mesmos: progresso, justiça, liberdade, cultura, respeito à diversidade, emprego, comida na mesa e educação.)

Nos dias 15 e 29 de novembro (para os municípios com segundo turno), vote pensando no meio ambiente, na importância do SUS, nas margens da desigualdade que a pandemia e o governo atual empurrou; vote numa agenda justa e em candidato(a) que se comprometa com a verdadeira mudança social. Conheça seu/sua aspirante a legislador(a), analise o histórico e cobre as propostas da campanha caso seja eleito(a). Não se acanhe em perguntar: ”E o que você fez?”.

Mais do que nunca, a hora é agora. Vote consciente. A cidade e o mundo agradece. Vivemos numa grande aldeia, lembra? Nossas atitudes reverberam.

Ao Vivo | Setembro Amarelo

E disse Albert Camus: ”Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à pergunta fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, vem depois.”

É com as palavras do escritor franco-argelino, escritas no livro ‘O Mito de Sísifo’ (1942), que abro essa publicação sobre a temática do suicídio. Desde que o mundo é mundo procura-se respostas para esclarecer essa problemática multifatorial que se mantém rodeada de tabus e dilemas até os dias de hoje.

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Por muito tempo a chamei de mamãe

Nas primeiras horas do dia 17 de dezembro de 2019, por volta das 3h10 da madrugada, mamãe partiu dessa vida. Diferente de Meursault, não titubeei na certeza: ela havia partido. Meu telefone tocou inúmeras vezes mas, por estar no modo silencioso, não escutei nada. Pela manhã, quase oito horas, reparei as ligações não atendidas da minha tia, Carolina, e a mensagem que dizia objetivamente: ”Sua mãe morreu.” Nesse momento me recordo do nada, da sensação de total suspensão da vida, me lembro de andar pelo corredor da casa sem saber o que pensar. Foram cinco minutos cinematográficos; veio toda memória, os aromas, conflitos e ao mesmo tempo o nada quase palpável. Não chorei na primeira hora. Depois de aterrizar a parte traseira do meu infortúnio, liguei para minha avó e tia. Ambas estavam desoladas e eu, em outro estado, na tentativa de consolá-las, acabei sendo consolado por elas, principalmente pela matriarca, agora sem a primogênita. Nesse mesmo dia precisava cumprir algumas atividades da faculdade e cumpri, apesar de tudo. Era final de semestre, estávamos todos esgotados e havíamos agendado para aquele dia infeliz, sem imaginar o ocorrido logicamente, um churrasco de confraternização e encerramento do período letivo. O encontro aconteceu, conseguimos rir das últimas situações da faculdade, mas só meu corpo físico estava lá. Se preocuparam em reagendar a festa, mas não fazia sentido dividir minha perda desse jeito. Numa leve contradição, tal atitude seria egoísmo. Inclusive, meus amigos(as) foram muito gentis comigo. Distante da minha família sanguínea, desequilibrado psicologicamente, eles(as) atuaram com o apoio emocional e afetivo que eu precisava. Assim como o Vittor, o único elo que me unia à minha casa, à minha vó e à minha mãe. Seria impossível aguentar os dias que antecederam minha viagem sem os cuidados dessas pessoas. Ela morreu numa terça, mas só consegui chegar em Paraty na sexta-feira, dia 20 de dezembro. A tristeza, enfim, encontrou seus pares.

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Sesc Paraty | Religião e diversidade, Pastor Henrique Vieira e Matheus Ruffino falam sobre os temas

Religião e diversidade sexual podem ser assuntos discutidos de forma cordial e complementar? Muitos vão dizer que não, mas as temáticas não só podem se cruzar, como devem ser entendidas de modo amplo e prático. Bom, foi essa a tentativa estabelecida entre mim e o Pastor Henrique Vieira, conhecido por sua visão humanizada e progressista daquele que pode ser Deus. Numa conversa sugerida pelo Sesc Paraty, falamos sobre nossa relação com a religiosidade e o quanto a igreja atravessa a comunidade LGBTQIA+ de diversas formas, causando estigmas e sensações das mais variadas.

O podcast mediado pela jornalista Carol Bataier e pela idealizadora do projeto Papo Dez Priscila Rodrigues versou sobre o papel das instituições religiosas na atualidade, a importância de contemporizar os textos bíblicos, principalmente aqueles usados para justificar lgbtfobias, e também contribuiu para jogar luz sobre a definição de um Deus humano e mais próximo desses corpos diversos, por vezes, renegados por cristãos intolerantes.

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Bastidores de ‘Foi você’

A ideia para a criação desse conto surgiu durante uma insônia movimentada, como quase todas que aparecem durante a noite. Antes de dormir a cabeça deste que lhe escreve vira uma panela de pressão e, ocasionalmente, é preciso anotar algumas ideias no bloco de notas do celular. São frases nunca ditas, possíveis pautas para essa plataforma, filosofias baratas e trechos de textos já em andamento. Acredito que todos e todas que possuem o hábito de escrita ou composição de algo textual já passou ou passa por essa descarga de ideia; ela simplesmente vem e precisa de amparo. No dia seguinte, quase sempre, ela perde um pouco daquele tesão inicial, mas ainda assim ilumina a composição do objeto produzido.

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Conto | Foi você

Desejar a morte de alguém, seja quem for, nunca será a melhor opção para a manutenção da civilidade. Pensando nisso, decidi dar vida a esses personagens complexos em suas relações e convívios sociais. Eles não existem no mesmo plano onde eu e você estamos, são ficcionais e reforçar isso é importante. Em quase oposição a essa perspectiva, o mundo real tem atravessado um momento complicado e devastador. A pandemia do coronavírus mudou a rotina de muitos seres humanos, alterou a rota de grande parte dos animais e até acordou vulcões adormecidos há anos. Mesmo com essas inúmeras mudanças, alguns personagens reais espalhados pelo globo optaram pela continuidade do habitual – maldade, egoísmo, psicopatia -, sem atentar para os malefícios disso sobrepostos à crise. Esses sujeitos poderosos, em diferentes níveis, acabam se tornando, incansavelmente, aliados desse vírus. ”E daí?”

O que resta para a massa consciente, verdadeiramente preocupada, é a revolta e a indignação contra esses que podem ajudar a salvar vidas mas, como projeto pessoal, optam pela morte. Nesse cenário há muitos culpados, nesse outro paralelo, apesar da brutalidade, não há.

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Somos uma aldeia

O que poderia ser mais letal que o governo Bolsonaro? O governo Bolsonaro sob efeito de uma pandemia. Coronavírus é o assunto do mundo e combatê-lo tem sido a principal política adotada pelos chefes de Estado. Alguns países estão fechando as fronteiras, outros sugerem isolamento compulsório e o Brasil adota medidas para punir aqueles que aproveitam o momento para fazer social e ir à praia. Por outro lado, numa ótica humanista e compreensiva, nossa pátria amada também acha decente aumentar o preço dos produtos relacionados ao combate do vírus. Não obstante, o presidente do país chancela manifestações pró-governo desrespeitando ordens médicas e instruções dos seus próprios ministros. Para ele, a covid-19 não passa de uma ‘histeria’ propagada pela mídia e que todo esse estrago é um plano maquiavélico do governo chinês. O que circula na internet é o boato de que ele testou negativo para a presidência.

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