Qual efeito dessa singularidade num ser que é plural? 

É dito a nós que devemos estar bem o tempo todo. As atualizações que insistimos em fazer cotidianamente em nossas redes sociais precisam mostrar que estamos bem e felizes. Pessoalmente não é diferente, temos que esboçar o mínimo de felicidade para aqueles que nos rodeiam e se for o contrário, nos darão adjetivos nada simpáticos.

Diversos aspectos da vida social tem estado em movimento. As sensações são passageiras, o ir e vir tem estado mais frenético, as pessoas parecem viver cada um em seu infinito particular, como diz a letra da música de Marisa Monte. Se quase tudo que está em nossa volta parece efêmero é justo dizer que nós, enquanto seres humanos munidos de variações sentimentais, psicológicas e comportamentais também passamos por essas mudanças de estado.

Entendemos que transitar por essas nuances do estar é uma realidade e não há como  fugir disso. Pode haver diversos motivos para que isso aconteça, repare: um chuveiro que não aquece num dia frio, uma nota baixa naquela disciplina que você se esforçou para tirar uma nota alta, um fora daquele crush antigo e por aí vai. Poderia listar muitos outros exemplos de situações que nos tiram do nosso eixo pacífico, ou seja, que nos faz sair da nossa área de conforto, mas essas são suficientes para mostrar que qualquer coisa nos faz mudar de condição, mudar de modo.

Pensando o oposto da movimentação, nos deparamos com a estagnação. Quero enfatizar somente um sentimento ou pelo menos aqueles que são parecidos e que de certa forma se complementam. Quando a sensação de tristeza e incapacidade se estagna? Quando você não sente mais as outras sensações perpassarem sobre seu corpo, mente e espírito? Qual efeito dessa singularidade num ser que é plural?

A singularidade é essa miudeza que se acha útil e que insiste controlar e manipular essa grandeza de indivíduo. Quando falo em pluralidade me refiro a riqueza de aspectos que uma determinada pessoa possui. Desde a identidade que é criada conforme vamos crescendo e nos adequando aos espaços socioculturais, passando pela personalidade, que de certa forma herdamos da nossa criação e de nós mesmos enquanto pessoas, até chegar na atitude, que o meu ver, nada mais é que a junção desses dois pontos citados anteriormente. Esse ser múltiplo é incrível.

Viver nessa constante infelicidade afeta diretamente as relações pessoais, afoga os desejos produtivos e salva os pensamentos suicidas que gritam por mais espaço a qualquer preço, deixando esse ser refém dos seus próprios perigos, ou seja, prendendo naquilo que, num estado dito ”saudável”,  perceberia que não faz bem a ninguém. É imensurável o efeito destrutivo que essas sensações pessimistas causam numa pessoa, desde a autoestima, que nesse momento é quase inexistente, até a perspectiva de um estado melhor, que o individuo não avista com facilidade.

É um estado tão fechado e autossuficiente para o mal que, independente de boas ações de terceiros, falas de apoio e ajuda motivacional nada parece surtir efeito nesse primeiro momento. É como um fascista que prefere nadar no próprio chorume da ignorância. Isto é, ela mesmo se coordena da pior forma e causa danos que as vezes podem não ter conserto. De frente a isso, a passagem para esse segundo momento é de bastante importância.

Um passo necessário nessa caminhada é não ter uma definição superficial sobre esse estado que tanto falo. Também vale ressaltar que tentar minimizar os fatos desse contexto com palavras rasas ou que inferiorizam a situação da pessoa também não é nada enriquecedor. Tenha empatia. Seja amoroso. Faça entender que a presença dela é de extrema necessidade. Verbalize o quanto ela ilumina os caminhos dessa tão complicada vida. Mostre o quanto ela é necessária. Escute com atenção tudo que é dito.

MESA22

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