Tirando o atraso literário

Em dezembro minha última pauta de rádio na faculdade teve a literatura como tema. Trouxe dados nacionais e misturei com as realidades daquele lugar no qual estou inserido. A fim de tornar a matéria mais dinâmica, propus uma enquete no Instagram perguntando aos meus seguidores quais foram os últimos livros lidos, se eles tinham o hábito de leitura e o motivo de não gostarem de ler. Um pouco parecido com o levantamento feito pelo Instituto Pró-Livro, em 2016, no questionário que fiz, 74% dos participantes informaram ter o hábito de leitura, enquanto 26% afirmou não ler absolutamente nada; 30% disse não ter tempo para o livro.

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Agora é para todos

Paraty, no litoral fluminense do Rio de Janeiro, se torna Patrimônio Mundial. A biodiversidade e os povos tradicionais foram critérios essenciais para o reconhecimento concedido pela Unesco

Quem nasce em Paraty é paratiense. Quem visita ou simplesmente conhece por fotos e vídeos é encantado. A cidade que fica a pouco menos de 300 km da capital carioca, desperta atenção de todos que cruzam com ela. Paraty é trifurcação para lugares consideravelmente antagônicos em sua construção. Estando na entrada, bem no trevo de acesso à cidade, é possível enxergar nas sinalizações quais são esses destinos. Angra dos Reis, onde ficam as usinas Angra 1, 2 e 3, cidade mais desenvolvida economicamente e o paradeiro predileto dos famosos globais e internacionais. Cunha é um lugarejo frio, conhecido pelos rodeios e cheio de ladeiras e depressões geográficas, situado a leste de São Paulo. Enquanto a outra paulista, Ubatuba, uma mistura das duas estâncias anteriores, é mais procurada por jovens e surfistas. Diferente das demais, a cidade histórica com cerca de 40 mil habitantes agora, mais do que nunca, é para todos. Desde julho desse ano, quando foi reconhecida como Patrimônio Mundial, numa cerimônia em Baku, no Azerbaijão, Paraty recebe nos seus limites territoriais gente ainda mais diversa: interessados em arquitetura e natureza, praieiros, pessoas de 15 a 90 anos, intelectuais e celebridades de toda ordem. Mas foram os povos tradicionais do município — 28 comunidades caiçaras, duas terras indígenas e duas comunidades quilombolas — juntamente a vasta biodiversidade, de quase 150 mil hectares preservada por esses cidadãos, os grandes responsáveis por catapultarem o conjunto de belezas ao estrelato.

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E sabe escrever?

De imediato, a resposta é sim. Publicitários sabem escrever. Pensar e defender o contrário disso é, no mínimo, um ato de ignorância de quem o faz. Tenho dois amigos publicitários e ambos escrevem muito bem. Uma, inclusive, me ajudou na escrita de um artigo e tem texto publicado em livro.

É preciso falar sobre interpretação, a chave que impediu o entendimento de alguns que compartilharam comigo a fatídica mesa sobre Jornalismo de Dados.

A pergunta que problematiza logo no título está associada a uma manifestação minha, feita durante um debate proposto pela universidade para pensarmos a respeito da pluralidade de informações que o jornalista pode lidar na atividade profissional a fim, claro, de enriquecer as matérias, dinamizar os temas e apurar os fatos. Até aí tudo bem! De fato, é preciso enxergar outras formas de alcançar novos públicos e tornar o jornalismo mais interessante e convidativo, mas não em detrimento do que está posto há milênios. Há, desde então, revisões e aprimoramentos para a área, e isso deve ser tratado dentro do próprio fazer jornalístico, dia após dia, de tempos em tempos. O Messias para os problemas do Jornalismo não deve ser a Publicidade e Propaganda.

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Jornalismo, Moda e Comunicação

É recorrente nas redações e meios de comunicação o pensamento que aponta o jornalismo de moda como sendo um subcampo do jornalismo tradicional, um setor renegado a editoria e desmerecido, ocasionalmente, por companheiros da profissão que atuam em outras especialidades. Os motivos são diversos: se imagina que o jornalista de moda não trabalha pesado, que o objeto de trabalho é de pouca importância para o grande público e que eles não lidam com ‘’pauta quente’’, aquela que demanda certa urgência na apuração e publicação. No campo mais amplo dessa discussão está parte da sociedade munida, igualmente, de discursos que segregam os sentidos da moda. Muitos não enxergam a pluralidade e os efeitos que a moda reflete no campo prático do cotidiano — seja por falta de interesse, seja por não perceber nesse objeto riqueza de valores.

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25 anos

Parabéns para mim

Pensando bem, já estou na metade dos 50 anos. Mesmo faltando outra vida para completar essa idade, pensar nisso me causa algumas inquietudes. Mas não quero falar sobre o futuro, só comecei dessa forma para parecer dramático e exagerado. Inclusive, essas são características que me acompanham no presente. Não pretendo trazer à tona situações corriqueiras acontecidas comigo tempos atrás. Aliás, por falar em passado, nasci sete meses depois do Plano Real e, por azar, vim ao mundo no governo de Itamar Franco, que assumiu o poder após a renúncia de Collor. Nove anos separam o meu nascimento do fim da ditadura militar e, por pouco, não assistia o Figueiredo na televisão. A intenção dessa escrita talvez seja reforçar algumas percepções da vida e lembrar de situações inesquecíveis e constrangedoras que me trouxeram até aqui.

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Crítica | ‘Põe-te no meu lugar’: a máscara social

LPTNML - JCP

 

Livro: Põe-te no meu lugar

Autor: Josias Cesar Porto

Ano de lançamento: 2018

Número de páginas: 112

Gênero: Comportamento; autoajuda; desenvolvimento pessoal

‘Põe-te no meu lugar’ expressa em sua narrativa isso que o título sugere: empatia. Mesmo esse conceito aparecendo apenas uma vez no decorrer de toda a escrita. Em linhas bastante gerais, é esse o foco do livro.

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Aeroporto é uma viagem

Aeroporto é um lugar estranho. Pelo menos pra mim parece estranho. Nem falo só pelo preço das coisas, como por exemplo um chaveiro simples custar $15 e uma água sem gás $8. O ambiente tem um cheiro diferente, mas não muito. É Lancôme pra lá e Paco Rabanne pra cá. Esse último, pode ter certeza, é você pisar num aeroporto que o cheiro lambe seu nariz. Os banheiros são ótimos e tem sempre alguém limpando e, no lugar de papel para secar as mãos, agora é um vapor que alterna entre quente e frio. Pensando na questão ambiental, acredito que essa opção é mais vantajosa. 

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Em clima de São João, Duo Amiã lança ‘Incendeia’

Rafique Nasser e Danilo Ornelas ou simplesmente Duo Amiã, lançam hoje, 22, pela gravadora Canoa Sonora, a música Incendeia

Os músicos baianos que já haviam trabalhado juntos no EP Arado, em 2017, se encontram novamente para dar voz ao Duo Amiã, parceria firmada com o lançamento de Incendeia, faixa festiva que evoca as raízes do São João do nordeste.

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Você leu o jornal hoje?

Eu devo desculpas ao Joaquim, um senhor alto, negro, forte, com uma leve dificuldade para andar e já na casa dos 70 anos de idade. Ele encontrou comigo na rodoviária de Salvador: eu esperando para ir para o aeroporto e ele à espera de seu ônibus com destino ao interior de Minas Gerais. Isso foi no começo de 2018. Joaquim estava em Salvador para visitar alguns parentes e retornava para o seu estado natal sem muitas esperanças. Sozinho, sentou ao meu lado para reclamar do alto preço da marmita servida ali no terminal. Dizia que em outro lugar era possível comer em mais quantidade, por bem menos. Até então eu consentia e confirmava sem muito interesse.

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O suave veneno de Nana Caymmi

A essa altura do campeonato você, leitor, já deve estar ciente da entrevista que Nana Caymmi concedeu à Folha de S. Paulo. Nesse longo e divertido bate papo a cantora não poupou críticas a quem quer fosse, externou seu pensamento político e mostrou que, apesar dos anos, continua autêntica e sem medo de mostrar quem é. Com pretexto de promover seu mais recente álbum, Nana Caymmi Canta Tito Madi, após 10 anos sem lançar disco novo, a carioca dividiu a opinião dos leitores. A direita levantou a artista como um troféu, não conhecendo nem mesmo seu maior sucesso. Enquanto parte da esquerda desmereceu o trabalho impecável e de grande expressão produzido até hoje. Alguns ousaram até menosprezar o trabalho do pai como forma de deslegitimar o que representa Nana Caymmi.

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